A vida e rotina de Van Gogh
além de girassóis, loucura e orelha.
Alguma vez você já parou pra pensar na vida e rotina de alguma das pessoas mais marcantes da nossa história?
Quantas pessoas você admira e sabe a relevância que teve, mas não faz a mínima ideia de como era o dia dela?
Eu tenho uma porrada de pessoas que fico curiosa em conhecer mais, e ultimamente tenho separado um tempo para assistir vídeos, ler notícias, cartas e relatos sobre como viveram. Tenho genuína curiosidade sobre esse tipo de assunto e espero guardar essas informações na minha mente.
E obviamente não falo da vida ou rotina do influenciador que dorme com a boca tampada, com aquele negócio no nariz, que acorda de 3am, enfia o rosto em uma bacia de água gelada etc.. nada contra, mas não é desse tipo de pessoa a qual me refiro aqui.
Falo da vida de grandes imperadores, pintores, escritores, inventores, pessoas que viveram em outro momento da história e que tiveram significativa influência no seu campo de atuação e que de alguma forma nos impactam até hoje.
Decidi começar compartilhando com vocês algumas anotações que fiz sobre Vincent Van Gogh.
Ps1.: encontrei muitas informações contraditórias nas pesquisas sobre ele, então vou comentar aqui o que mais se repetiu como “verdade".
Ps2.: não vou entrar no mérito da saúde física e mental dele, nem da cronologia dos quadros, lugares que morou e detalhes da vida. Para isso indico alguns vídeos, como:
Se “encontrar tarde na vida"
Van Gogh foi criado em uma família religiosa e de classe média Holandesa, filho de pastor protestante (calvinista), começou sua carreira no mundo das artes como comerciante por intermédio de seu tio, mas em determinado momento rejeitou o comércio de artes e foi trabalhar como professor assistente e depois tentou ser pregador, como seu pai.
Ele não começou a desenhar desde a infância, foi “só” por volta dos 27~28 anos que começou a pintar suas primeiras telas, e pintava paisagens e usava camponeses como modelo. Afinal, modelo naquela época era caro (como deve ser hoje tmb).
É curioso saber disso, uma vez que achamos que com 27 anos já temos que ter o caminho “traçado” e “começar algo novo” para muito está fora de cogitação… ainda mais começar em artes, que muitos pensam que é “dom".
Ps.: esses 27 anos de vida dele não foram nada fáceis, vale você assistir os vídeos recomendados acima.
Rotina de trabalho e trabalho
Encontrei alguns conteúdos extraídos de cartas que ele enviava a seu irmão Theo, em que a rotina dele em determinado momento da vida era:
Trabalhar das 7h às 18h, com raras pausas para se alimentar.
Ele pintava praticamente sem parar e relatava não se sentir cansado. Imagino que ele entrasse em um estado que hoje chamamos de flow.
A alimentação dele era absurdamente pobre em nutrientes, sendo relatado que comia basicamente pão, batatas, algumas castanhas, bebia café e absinto (tinha alucinações), além fumar tabaco em excesso.
Estima-se que ele tenha produzido quase cerca de 900 pinturas a óleo em apenas 10 anos de carreira, fora os cerca de 1.100 desenhos de esboços.
Imagina o foco absurdo em praticamente pintar um quadro a cada 4 dias, e se contarmos os esboços é quase 1 obra a cada 2 dias.
E você já pensou em simplesmente trabalhar sem nenhum tipo de distração das 7h às 18h? Sem olhar celular, sem falar com ninguém, apenas pausando para se alimentar e ir a banheiro?
Agora imagina fazer isso por dias a fio?
Zero distrações. Muita produção.
Lembrei da Think week de Bill Gates. Uma semana talvez seja muito para nós “meros mortais”, mas um fds no ano acho que conseguimos, né? (salvo se você tiver filhos).
Ps.: Vincent teve diversos momentos de hiperfoco, e em diversas leituras relacionam com a possibilidade de algum tipo de transtorno, mas não vou entrar nesse mérito. Assista os vídeos depois.
Escreva. Documente
Van Gogh era muitíssimo próximo de seu irmão mais novo, Theo, e eles trocaram milhares de cartas.
Tem-se registro de 903 cartas no total, e felizmente podemos ter acesso através do site Vincent van Gogh: The Letters (são mais de 2 mil páginas em 6 volumes, com notas explicando o contexto e imagens de pinturas comentadas. Absurdamente rico!)
A grande maioria das cartas que temos acesso eram de Vincent para Theo (possivelmente Vincent não guardava direito as cartas recebidas do irmão) e ele detalhava seu estado de saúde, seus pensamentos, rotina, tentava explicar para o irmão o que queria retratar nos quadros, o que tentava fazer com as cores, a exemplo dessa passagem:
“Tentei reconstruir a coisa como ela poderia ter sido, por meio de uma simplificação e acentuando a natureza orgulhosa, imutável dos pinheiros e dos arbustos de cedro contra o azul.”
Tem noção que nós só podemos compreender como foi a mente e vida dele em 1875-1890 (por aí) pois ele documentava basicamente tudo?
Inclusive estudos sobre sua saúde mental são provenientes das descrições que ele compartilhava com o irmão e mãe.
Me parece que nós estamos perdendo esse hábito de documentar. Estamos tão acostumados com mensagens curtas, tweets, legendas e textos adaptados para serem rapidamente escaneáveis, que deixamos de usar papel e caneta para tomar notas. Deixamos de escrever sobre nossos pensamentos e ideias, e não mandamos mais cartas ou relatos a ninguém. Não separamos um momento nem para refletir sobre a nossa própria vida, quem dirá escrever…
Confesso que eu não tenho o hábito de documentar os dias, semanas ou meses, mas desde 2014 eu uso o site future.me para relatar sobre momentos específicos e o que penso/espero para o próximo ano. Escrever para mim no meu aniversário é quase terapêutico, e toda vez que o e-mail chega eu fico animada para saber o que a Fernanda do passado enviou para a Fernanda do presente/futuro.
Escrever e documentar mais está ganhando cada vez mais prioridade no meu dia.
1 venda. 400 francos. Vivendo sem dinheiro
Não sabemos exatamente quantos negócios Van Gogh fez em vida, tem relatos que ele trocou quadros por comida e tintas, mas a história mais contada é que ele vendeu apenas 1 quadro, “O vinhedo Vermelho", para Anna Boch, uma pintora belga, por cerca de 400 francos (que na época era uma quantia justa).
E você deve estar pensando: ta, mas como ele se mantinha? (eu me perguntei isso)
O irmão, Theo, seu maior apoiador, ombro amigo e financiador, enviava cerca de 150 francos por mês, e mesmo Van Gogh tendo nascido em uma família de classe média, ele viveu em muitos momentos como um andarilho, mal nutrido e sem dinheiro para nada. Já dormiu na rua, perdeu dentes e tinha problemas de saúde.
A dificuldade para vender seus quadros foi relacionada ao seu trabalho estar “a frente do seu tempo”, além dele ser considerado um homem instável e "difícil", alguns o chamavam de “o ruivo louco"… e mesmo Theo trabalhando com arte não conseguia ajudar o irmão, seu trabalho não era bem compreendido na época.
Ps.: teve um momento da vida que o Theo também passou por dificuldades financeiras, e quando Van Gogh descobriu foi mais um motivo para aumentar toda dor e sofrimento que sentia.
Agora imagine você ter 30 e poucos anos, ser bancado(a) pelo irmão, viver uma vida de pobreza, trabalhar à exaustão mesmo com problemas de saúde e não ter seu trabalho reconhecido em vida?
Pesado, né? Pois foi exatamente isso que aconteceu com Vincent. Ele morreu com 37 anos, 10 anos depois de ter começado a pintar, e sem ter o trabalho reconhecido.
Minha reflexão sobre isso é a seguinte: hoje é comum começarmos algo, e se não tivermos sucesso em meses, abandonamos. Ele simplesmente parecia saber que o destino dele era pintar, e foi isso que fez até o fim.
Quantas vezes abandonamos algo sem termos de fato insistido?
Ou até mesmo quantas vezes insistimos em algo que deveríamos ter abandonado, mas não nos tivemos o trabalho de simplesmente refletir sobre?
Obrigada cunhada, Johanna
Vincent van Gogh só ficou famoso e suas pinturas reconhecidas mundialmente após sua morte.
A pessoa responsável por isso? Sua cunhada, Johanna van Gogh-Bonger.
Jo, como ela mesma se chamava, foi professora de inglês em Amsterdã, e tinha um fascínio por cultura e por estar próxima de artistas e intelectuais.
Seu marido, Theo, foi um negociante de arte e eles foram casados por pouco menos de 2 anos. Theo morreu poucos meses após a morte de Vincent, em 1891, e ela herdou centenas de pinturas, desenhos e as cartas trocadas pelos irmãos.
Imagine uma jovem mãe e viúva, em 1891, no apartamento abarrotado de quadros e com o sentimento de que o cunhado foi um gênio incompreendido, praticamente desconhecido.
Jo também mantinha um diário, que começou quando tinha 17 anos e pausou quando se mudou com Theo para Paris. Depois de viúva, ela abriu uma pousada e pendurou todos os quadros de Vincent pelo local, e também retornou ao seu diário.
Ela escreveu sobre Theo:
“Tudo não passa de um sonho! O que ficou para trás – minha breve e imensa felicidade conjugal –, isso também foi um sonho! Durante um ano e meio, eu fui a mulher mais feliz do mundo.”
e registrou suas atuais responsabilidades, “deixadas por Theo”:
“Além da criança ele me deixou outra tarefa – a obra de Vincent –, fazer com que ela seja vista e apreciada ao máximo.”
Depois de consumir as cartas do cunhado e compreender ainda mais seu trabalho, Jo foi atrás de críticos de arte a fim de divulgar as cartas e o trabalho de Vincent, e ela não parou até conseguir o reconhecimento merecido que Vincent Van Gogh não teve enquanto vivo, e depois dela seu filho e neto seguiram no mesmo caminho (mesmo tentando ir para outro rumo).
Johanna queria que sua vida tivesse propósito, e quem sabe esse foi o propósito dela.
Tem uma frase famosa que diz o seguinte:
Sem Theo, Vincent não teria sobrevivido. Sem Johanna, o mundo não teria conhecido Vincent.
Imagina você ter alguém na sua vida que acredita tanta no teu potencial, que o propósito de vida dessa pessoa é te divulgar ao mundo, fazer jus a tudo que você construiu e não deram os devidos créditos!
Quando eu li sobre a história dela, tudo que ela passou e construiu, fiquei realmente impressionada e reflexiva.
Se você quiser saber mais sobre ela, recomendo esta leitura: A mulher que forjou Van Gogh.
Essa news foi num tipo de conteúdo diferente, quase que como uma anotação para que eu grave mais detalhes dessa história fascinante.
Comenta se você gostou?
Abraço e até a próxima semana,


Amoo esses conteúdos sobre a vida de pessoas que contribuíram de alguma forma nesse mundo.
e é triste saber q van gogh e muitos ouros que não teve reconhecimento em vida, mas feliz por jo ter nos apresentado, se não saberíamos a esxtistencia dessas belas obras.
Que conteúdo FANTÁSTICO! Por favor produza mais