#3 O que os Hare Krishna tem a ver com Vendas e Reciprocidade?
Nós, seres humanos, queremos retribuir o que recebemos. Somos educados assim desde a infância e se não cumprirmos essa regra temos a chances de sofrer represálias sociais.
Não sei se todos estão familiarizados com o movimento Hare Krishna, mas eles são facilmente identificados por uma vestimenta longa, geralmente alaranjada, cabeça raspada e muitas vezes andam em grupos tocando instrumentos e cantando Hare Krishna, Hare Krishna Krishna Krishna, Hare Rama...
Lembro que quando eu estudava na UFSC, todas as quartas-feiras tinha feirinha de produtos orgânicos, venda de comida, música na concha acústica, e geralmente tinha um grupo vendendo refeições super saborosas e baratas, além de expor/vender livros e conversar com quem passava e gostaria de conhecer mais sobre eles.
Não é minha intenção me ater aos detalhes da religião, pois não sou uma estudiosa do tema, mas se você quiser se aprofundar mais, recomendo esse documentário que está no prime vídeo.
O que é importante destacar aqui:
A ascensão do grupo foi bem expressiva na década de 70 nos EUA. Na época, além de crescer rapidamente em número de seguidores, o grupo também viu crescimento na parte econômica, que entre muitas ações feitas, o principal foi basicamente através de pedidos de doações a pessoas comuns em locais públicos.
Mas o início não foi fácil e nem próspero.
Imagine que você é um estadounidense que vive na época de 70 e vê esse alegre grupo pelas ruas, cantando e pedindo doações. Qual seria a sua reação? Provavelmente acharia estranho, já que é algo que causa estranheza até nos dias de hoje.
Os Hare Krishna conseguiam chamar a atenção, que é algo que queremos em vendas, mas não conseguiam se conectar com o público, que os consideravam estranhos, não gostavam da sua aparência e não queria doar dinheiro para sua “causa".
Esse problema poderia ter sido resolvido com a mudança das coisas que o público não gostava, mas os Hare Krishna são uma organização religiosa e não podem mudar o que está atrelado a sua religiosidade (roupas, aparência, músicas, atitudes..)
O que fazer então para conseguir transformar essa atenção em doação?
Aí que entrou a reciprocidade!
Você por acaso já recebeu um brinde/favor/presente de alguém e depois se sentiu compelido a retribuir, por exemplo, comprando algo da pessoa, escutando ela falar ou algo do tipo? Eu já, um zilhão de vezes! E ainda preciso cuidar pra não "cair nessas" e depois me sentir mal rs
E foi justamente essa tática que eles começaram a usar. Além de chamar atenção em lugares com muita gente apenas pela sua presença, o grupo começou a entregar flores e livros como forma de doação/presente - o livro geralmente era sobre a sua religião - e falavam que era presente e que não poderiam receber de volta.
Depois da pessoa aceitar o "presente" aí então eles pediam a doação! Espertinhos!
Afinal, o que isso gerou na outra pessoa? O sentimento de reciprocidade.
Queremos contribuir com algo! Por mais que possamos aceitar um livro, guardar na bolsa e ir embora, não queremos passar a impressão de injustiça.
Essa estratégia de chamar atenção + instigar a reciprocidade levou o grupo a ganhos econômicos suficientes para que pudessem financiar templos, empresas, escolas e projetos tanto nos EUA quanto em outros países.
E não sei se por acaso passou aí na tua cabeça "ahh... mas essa técnica já tá manjada, não caio mais nessa de aceitar coisas…"
Caso tenha passado, você está certo!
A técnica/estratégia funcionou muito bem…. por um tempo!
Nós nos acostumamos com essa tática de "receber algo" e depois nos "pedirem algo", e fomos parando de aceitar até mesmo conversar com as pessoas que carregam uma caixa de isopor embaixo do braço.
Isso quer dizer que a reciprocidade não existe mais? Claro que não! Ela é um gatilho poderoso, mas quando "nos damos conta do padrão" desenvolvemos formas de impedir que usem contra nós, ou seja, já ficamos alertas para evitar essa situação.
O mesmo acontece com nossos leads que já estão carecas de receber as mesmas mensagens e abordagens, que já sabem o que vamos falar quando eles derem X objeção, pois já estão calejados de receber o mesmo conteúdo e formato ao longo do tempo.
Por continuar usando a mesma técnica o grupo Hare Krishna que teve um boom na sua economia também experimentou o fechamento de templos e viu o número de seguidores diminuirem ao longo dos anos por não conseguirem manter o mesmo nível de arrecadação.
Vejo isso logo acontecer com o fenômeno de engajamento que temos visto ultimamente no linkedin com “comente eu quero que te mando um presente por DM".
Portanto, não fique frustrado e nem passe dias remoendo o porquê suas técnicas não estão mais funcionando, sendo que antes traziam excelentes taxas de conversão e pareciam infalíveis.
Muito possivelmente seus leads se acostumaram com suas mensagens e já encontraram mecanismos de se proteger de abordagens como a sua. Cabe a você revisar se segue fazendo o mesmo de tempos atrás, copiando outras pessoas que já tiveram sucesso ou se de fato está inovando e trazendo autenticidade para o seu dia a dia!
A regra da reciprocidade é simples: "é dando que se recebe".
*mas cuidado para não ficar manjado
Deixo as seguintes reflexões por aqui:
O seus pedidos estão sendo únicos ou seu público já esta cansado de saber o que você quer?
Você está só querendo receber ou também está contribuindo?
O que você está dando e com qual frequência está pedindo?
Esse post foi inspirado no capítulo 2 - Reciprocidade do Livro Armas da Persuasão
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E ela está até no básico:
Um sorriso, uma gentileza e animação ao falar colaboram demais!
Uma técnica que eu adoro usar com gatekeeper é: "Pode me ajudar?"
Qse impossível não ajudar alguém que foi tão sorridente e gentil em um "bom dia" hahaha