O que te falta... ou o que te convencem que está faltando?
#30
Hoje quero dividir uma reflexão que tem feito cada vez mais sentido pra mim e, quem sabe, também faça sentido pra ti que está lendo aí do outro lado.
Quando a comparação vira insatisfação
Outro dia vi um post no Instagram que me pegou demais (infelizmente não sei o @)
“Às vezes, o que te deixa insatisfeito não é o que tu tens, mas é o que te fazem acreditar que falta.”
O post trazia um carrossel de situações tão comuns no nosso dia a dia, que chega a ser curioso como a gente se identifica, do tipo:
Você estava feliz com sua aparência, até ver o antes e depois de algum influencer famoso que fez um procedimento estético ou mudou drasticamente em pouco tempo.
Achava sua casa aconchegante, até começar a assistir tours de apartamentos minimalistas e incrivelmente decorados/instagramáveis.
Estava animado com seu trabalho, com conquistas recentes, até se comparar com alguém que parece ganhar mais, viajar mais e trabalhar menos.
Achava sua rotina eficiente, até começar a acompanhar quem acorda 5h da manhã, lê três livros por semana, faz yoga, investe, corre maratona e parece dar conta de tudo com facilidade.
No fim, a pergunta:
Será que a tua vida realmente é tão ruim quanto parece ou será que é o excesso de comparação que está te fazendo enxergar problemas que nem existiam antes?
E isso me fez pensar: quantas vezes a gente começa o dia bem, animado com a vida, mas termina com aquela sensação de “poderia estar fazendo mais”, só porque viu algo de outra pessoa?
O excesso de referências externas tem um impacto difícil de mensurar, e algumas pessoas estão tão imersas nisso que nem percebem.
Ps.: eu to com um uso muito bom de redes sociais e percebi que meu tempo de YT e leituras aumentou, enquanto de insta e LinkedIn caiu.
O consumo de conteúdo (e a vontade de criar)
Nos últimos tempos tenho buscado consumir mais conteúdos que mostram o lado “normal” da vida (sem filtro, sem a obrigação de parecer perfeito o tempo todo). No YouTube, principalmente, descobri canais que me inspiram não por mostrar uma vida impossível, mas por resgatar o prazer de criar pelo simples ato de criar.
Vou compartilhar dois deles que têm me feito muito bem e mudado a forma como olho para o conteúdo:
Arthur Miller:
O canal dele é recente, mas lembra bastante aquele estilo espontâneo do Casey Neistat. Os vídeos são feitos num quartinho em Amsterdã, com tralhas pelo cenário, sem aquela preocupação com a estética instagramável. O legal é ver alguém comum, trabalhando, testando ideias, mostrando como monta um roteiro ou grava um vídeo, e isso inspira a criar também, sem tanta pressão.Jonas: (que tmb tem uma news aqui Jonas Castro)
Gosto especialmente dos vídeos onde ele grava caminhando por um espaço verde, refletindo sobre rotina, criatividade, empreendedorismo, jogando a real sobre os negócios que ta fazendo. São vídeos simples, humanos, com galos ao fundo. Eu já tinha pensado em gravar aqui perto de casa, onde tem natureza, mas ainda não consegui me organizar pra isso.. depois dos vídeos dele fiquei mais inspirada ainda.
Além deles, tenho acompanhado outras pessoas que também optam por esse caminho “mais autêntico”. Criam conteúdo para dividir experiências, para se expressar, e não pra vender uma vida de filme, cheia de produtos, cafés e viagens de capa de revista. Tipo o canal do Jonnyzão (eu acompanho o canal do Jonny Viccari tmb).
Isso tem me feito perceber como eu curto esses conteúdos mais “limpos", que embora as pessoas estejam vendendo algo, é agradável acompanhar, da pra ver que tem trabalho autêntico ali (mesmo que modulado de alguma forma).
De quem é o desejo?
Esses dias li uma provocação interessante, que me fez parar pra pensar:
“Será que a gente realmente gosta de tudo que faz e consome, ou já não consegue mais diferenciar o que é desejo nosso e o que é influência do que vemos?”
E a provação trazia +- os seguintes exemplos:
As pessoas compram um tênis New Balance pra mostrar que “não ligam pra moda”, mas na verdade estão seguindo uma tendência…
Será que a onda do matcha, por exemplo, é porque todo mundo acha mesmo gostoso, ou porque ficou “cool” aparecer com a bebida no Instagram?
E aquela vontade de mudar toda a decoração de casa só porque viu um vídeo de um influenciador e acha que vai ficar na moda?
A gente sabe que existem tendências e modas desde que o mundo é mundo… antes eram as revistas, televisão.. agora as telas em geral.. e tudo bem!
Mas quando foi a última vez que você escolheu alguma coisa só porque era a sua cara, mesmo que ninguém aprovasse ou curtisse? Ou que você foi a um lugar, experimentou um prato, usou uma roupa só porque queria, sem se importar se estava em alta?
Às vezes o excesso de estímulo e referência deixa a gente anestesiado.
Perde-se a espontaneidade, e tudo vira checklist que nasce a partir da experiência de outras pessoas.
Micro-hábitos: o que realmente faz sentido pra você?
Recentemente, revisando o livro “Micro-hábitos”, encontrei um dos capítulos que traz uma reflexão que encaixa muito aqui:
Os hábitos que você tem (ou quer ter) são realmente seus? Ou são de alguém que te disse que aquilo é “o certo”?
Quem disse que você precisa acordar às 6h pra ler, correr, ser produtivo?
Que precisa tomar creatina para performar melhor?
Quando a gente para pra se perguntar “por que estou fazendo isso?” ou “de onde veio esse desejo?”, a vida parece que começa a ganhar outro sentido.
Você percebe que pode construir rotinas, consumir, criar e até descansar de um jeito que tem a ver com seu momento, não com a "expectativa do mundo".
No fim das contas…
Eu mesma crio conteúdo pra reforçar minha marca, fechar negócios, investir em experiências, em viagens, em conhecimento… porque isso faz sentido pra mim (já refleti sobre isso algumas vezes).
Mas pra outras pessoas o objetivo pode ser ganhar seguidores, alcançar patrocinadores, conquistar fama. E tá tudo bem: cada um com seu propósito e suas vontades.
O importante é saber o porquê das nossas escolhas, entender se estamos vivendo por vontade própria ou só seguindo o fluxo. Consumir (e criar) menos por obrigação, mais por vontade genuína, e curtir mais o processo e menos o resultado final.
Mais pelo prazer de viver algo, menos pela ansiedade de mostrar pro mundo ou de atender um padrão que, no fundo, nem é nosso.. só é aesthetic (e eu sei que isso vende)
Se você também tem sentido esse movimento, ou conhece canais e pessoas que te inspiram a ser mais você, responde aqui. Quero muito saber sua visão e suas indicações!
Espero que essa reflexão faça sentido pra você, assim como tem feito pra mim. E se fez, compartilha com alguém que anda precisando ouvir isso também.
Até a próxima semana!


teu texto me lembrou uma frase presente no livro de Dan Koe “o que você consome (na internet) te consome”.