#25 O que um bilionário, um budista e um homem isolado nas montanhas têm em comum?
3 vídeos diferentes, mas no final a mesma mensagem.
Três vídeos. Três realidades completamente diferentes. Um monge budista, um homem que vive isolado nas montanhas e um bilionário digital, e todos, de alguma forma, dizendo a mesma coisa!
Essa news será diferente.
O conteúdo será mais uma reflexão de um apanhado de informações que tenho acessado nas últimas semanas.
Será quase como uma página de diário privado que alguém encontrou.
Bom… vamos lá!
Dois canais que você deveria conhecer:
Nathaniel Drew: os vídeos são interessantíssimos, ele produz quase que mini documentários. Tu consegues perceber detalhes de arte em cada segundo.
The Diary of a CEO: centenas de entrevista com pessoais referências em suas áreas. Cada vídeo é uma aula. Abaixo está o mais recente que assisti.
→ Sério, se tu não conheces esses canais, vale a pena separar um tempo para conhecê-los.
E eu recentemente assisti esse vídeo com o Iman e vim incorporar aqui na news antes de enviá-la:
Como esses vídeos tão diferentes estão conectados?
No primeiro vídeo a conversa é sobre a grande mudança de sair de uma cidade para as montanhas.
Martjin, o homem que mora nas montanhas, conta que aos 32 anos ele trabalhava como freelancer, começou a ter um pouco mais de dinheiro a ponto de “sobrar”, e ele queria viver uma “aventura". Pegou a bike, traçou o plano e saiu por aí.
No canal do YouTube dele tem a seguinte descrição “[…] Ele completou duas longas jornadas de bicicleta: de Amsterdã até Singapura e de Vancouver até a Patagônia.”
Hoje ele mora em uma montanha na Itália e tem um canal em que compartilha fragmentos do dia a dia construindo coisas e vivendo “em solitude".
O que eu gostei muito nesse vídeo é a forma em que ele traz sobre a vontade e também o medo de viver algo diferente.
Ele fala muito sobre ritmo. Sobre encontrar o teu ritmo. Ele mora num lugar isolado, mas diz que se sente mais conectado hoje do que quando morava em Amsterdã. Porque quando tu tem menos opções, tu valoriza mais o que tem. Teus vizinhos, tua comida, teu silêncio. Me lembrou muito o Paradoxo da Escolha.
A vida é longa e temos que ter um projeto no qual vamos investir tempo e energia. E é totalmente natural ter momento chatos, mas tu tens que fazer o trabalho, porque a vida é assim. Vais fazer pouco a pouco e no final vais te sentir bem por isso.
“Tu tens poucas pessoas e poucas opções, então acabas ficando mais conectado ao que tu tens”
Outro ponto que gostei muito é sobre o trabalho “no campo". Inclusive no fds estava falando sobre isso com um amigo.
No campo tens um trabalho que muitas vezes te desconecta de qualquer coisa digital, então percebes o tanto de coisa que tens pra fazer. E são projetos que consegues visualizar o início, meio e fim.
É uma grande tarefa, quebrada em outras menores, e tu não tá o tempo inteiro perseguindo a próxima coisa, e tu vais fazer ela dia após dia, querendo ou não, porque faz parte da vida.
Já no segundo vídeo, do Monge Budista Gelong Thubten (ele é reconhecido como um dos instrutores mais influentes de meditação no Reino Unido e no mundo ocidental), compartilhou assuntos que “esperamos” que um monge compartilhe: meditação, ansiedade, o ciclo do querer, a busca pela próxima coisa…
Mas o que eu mais gostei foi como ele trouxe a experiência dele antes de ser budista: um homem tentando ser ator, morando entre Londres e Nova Iorque, e que se viu com 21 anos tendo crises de ansiedade até sofrer um forte burnout.
Ele foi para o monastério como um retiro “por um tempo", mas acabou ficando.
Pontos importantes que anotei:
Wanting Mind, que é o apego às coisas, às experiências, o desejo, e que isso causa o sofrimento. Conceito bastante difundido pelos budistas.
Nós estamos o tempo inteiro buscando um preenchimento através do externo, que parece que a felicidade vem através do ter. Só que a paz vem quando a gente larga isso, então tem uma parte que ele fala que as pessoas acham que a alegria vem de fora, e isso é um erro.
A gente fica pensando, se isso acontecer, quando eu tiver isso, quando a situação for esta, sempre pensando no próximo ciclo, e isso faz com que vire um hábito: o hábito de estar sempre buscando, e buscando, e buscando, e parece que isso nunca tem um fim.
E aí ele traz a parte do celular (que conecta pra mim com o conteúdo do Martjin)
Como a gente ta com o celular constantemente ao nosso lado, nos conectando a tudo e a todos o tempo todo, a gente tem esses picos de dopamina. Começamos a querer coisas que, obviamente, a gente não precisa, e depois que a gente tem essas coisas, a dopamina baixa, então estamos sempre buscando por algo, porque é a busca que faz com que a gente esteja nesse estado meio que de alerta.
Nós temos que encontrar momentos para parar e fazer o contrário disso tudo: focar em estarmos apenas presente.
E aí entra o terceiro vídeo, do Iman Gadzhi, um homem de 25 anos que já construiu riqueza e fama, tendo vindo de uma família de mãe solteira e nenhuma “vantagem financeira”.
O vídeo do Iman tem vários pontos sobre os negócios dele, sobre a jornada que construiu, mas o que mais me chamou a atenção foi algo simples e direto: ele nunca esteve preocupado com ninguém. Ele nunca ficou se comparando. (e isso me lembrou mais uma news)
Ele teve clareza sobre o que queria, sobre os projetos nos quais estava trabalhando e focou toda a energia dele nisso.
Ele já é multimilionário, alguns dizem que é bilionário, e pra ele a questão já não é mais poder comprar qualquer coisa (por que ele pode). Agora o desafio é outro: comprar empresas, viver numa dinâmica acelerada, fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
Ele fala que gosta do caos e está vivendo isso.. que é feliz assim.
Ele traz logo no meio do vídeo que pra algumas pessoas o que traz sentido pode ser uma vida mais equilibrada, já pra outras pode ser trabalhar em uma empresa com uma cultura incrível.
O ponto é: o que queres para a tua vida?
Sem te comparar. Sem olhar pro lado.
Nós precisamos entender qual é o projeto, focar a energia nele e se sentir bem ao chegar lá, e não porque ele se parece com o de alguém, mas porque ele é nosso.
Esses três vídeos, pra mim, se conectaram muito nisso.
Um monge budista falando sobre o wanting mode, onde o apego às coisas e às experiências nos leva ao sofrimento, e que o que o celular é peça chave nisso!
O Martjin, lá na montanha, dizendo que tem uma comunidade ainda mais forte, sem comparações, e com mais presença no dia.
E um multimilionário/bilionário, que construiu tudo pelo digital, dizendo que não se comparou com mais ninguém e nem se importa com a opinião dos outros. Ele sabe o que quer, tem clareza do próprio caminho e isso basta.
Esses vídeos me deixaram com uma provocação que te passo agora:
Por que a gente quer o que a gente quer?
Será que é porque realmente paramos pra pensar sobre isso?
Ou será que estamos só olhando demais pro telefone, consumindo tanta informação, que já não sabemos mais o que é vontade nossa e o que é fruto do algoritmo?
Falei que seria uma página de diário, né? haha
Tu tmb te faz essas provocações?


Adorei o texto e as recomendações de vídeo, a mensagem ficou clara como água. A parte que tu descreveu como sempre pensamos no próximo passo sem focar no passo que estamos dando no momento foi uma virada de chave! Obrigada pelo texto :)