Será que toda criação precisa ser monetizada?
#33
Hoje acordei pensando no movimento que tenho visto em muitas redes, especialmente no LinkedIn: criadores de conteúdo desistindo de postar, cansados da pressão de produzir e frustrados pela falta de retorno.
E isso me levou a uma pergunta que talvez você também já tenha se feito: por que a gente posta? Devíamos parar com isso?
Será que é só por estratégia, métricas e conversão? Ou porque existe dentro de nós uma necessidade genuína de expressar, de ajudar, de dividir, de deixar registrado?…
Hoje é um dia frio e chuvoso em Floripa, o típico dia que pede uma reflexão rs
Razão original
Grande parte das pessoas começa a criar conteúdo movida por uma vontade muito simples e honesta: compartilhar aprendizados, dividir experiências, deixar registrado um ponto de vista. É quase como escrever um diário público, ter um espaço de expressão que outros também podem acessar e se beneficiar.
Mas com o tempo a "lógica” muda.
A gente fica “viciado” em curtidas, comentários, leads, clientes e na busca de um retorno financeiro que começa a pesar mais do que a vontade inicial de dividir. A régua passa a ser o resultado e não o prazer do processo, de tirar uma ideia do papel e conseguir expressar o que tava na mente.
Se você realmente gosta de compartilhar seu conhecimento, vai continuar escrevendo mesmo que ninguém esteja acompanhando. Talvez numa frequência menor, mas seguirá…
E é aí que eu vejo o desafio…o ponto de partida importa e é ele que sustenta a no longo prazo. Porque quando o motivo é só “ter retorno rápido”, a consistência se perde.
E sem consistência, nada dura muito tempo.
O longo prazo (quase sempre) é silencioso
Nem toda oportunidade é visível.
Muitas vezes quem vai te chamar para um projeto, uma palestra ou uma parceria é justamente quem nunca curtiu, nunca comentou, mas acompanhou você em silêncio por meses.
Eu já fechei alguns contratos com pessoas que eu tinha tinha tido uma interação, mas a pessoa estava lá… acompanhando!
Criar conteúdo tem que ser divertido, até porque muitos de nós não vivemos disso e sabemos que não vamos viver também!
O silêncio das métricas talvez não signifique falta de impacto ou que teu conteúdo não é valioso. Claro que as métricas importam para que possamos entender onde justar, mas muitas vezes alguém que viu seu conteúdo, lembrou de você e, no momento certo, decidiu entrar em contato.
O longo prazo requer paciência.. e nós também precisamos ter prazos para testes e clareza com o que queremos com essa produção.
É gerar receita? Em quanto tempo?
É ajudar as pessoa? Quais os feedbacks recebidos?
É apenas compartilhar? Quanto tempo você vai dedicar a isso?
Quando tudo vira “monetização”
Quando entrei no Substack, em fevereiro desse ano, encontrei um espaço criativo “leve”.
Reflexões sobre literatura, filosofia, vendas, marketing, investimentos.. tudo sendo compartilhado sem a pressão do “crescimento", ao menos era assim que eu via.
Mas agora comecei a ver cada vez mais posts sobre “como crescer rápido no Substack” e “como monetizar em poucos meses”. (eu simplesmente silencio esses canais, porque meu objetivo aqui não é esse..)
Tenho visto muita gente na minha timeline reclamando que a essência da rede esta sendo engolida pela mesma lógica de todas as outras: primeiro um espaço de expressão, depois uma busca por estratégias de crescimento.
Esse movimento é previsível, nós sabemos que as plataformas tão indo pra esse espaço de “monetização, o que é bem normal, não sejas hipócritas.
Mas da preguiça de ver todo espaço sendo transformado em “máquina de vendas".
Algumas coisas deveriam poder existir apenas porque são boas em si mesmas.
Escrever pode ser um fim, não apenas um meio para faturar.
Minha preocupação é que estejamos perdendo a capacidade de fazer algo só pelo prazer de fazer.
O valor do compromisso
Assumir compromissos públicos de produção de conteúdo me trouxe uma disciplina “extra”. Tenho a newsletter semanal, o canal no YouTube, o LinkedIn e o Instagram.
Nem sempre é simples: já corri para gravar um vídeo tarde da noite, já publiquei no limite do prazo.
Mas essa rotina reforça em mim um valor maior que as métricas: a consistência. O ato de entregar semanalmente, independentemente do cenário, me mostra que sou capaz de honrar promessas comigo mesma… e isso, pra mim, é valioso demais!
Compromisso com o conteúdo não é sobre “alimentar algoritmo”, mas sobre criar confiança.
É como treinar um músculo: a cada semana, eu provo a mim mesma que consigo sustentar a minha palavra.
E isso, no longo prazo, vale muito mais do que métricas de engajamento.
Ps.: eu tenho prazos para entender as plataformas, o retorno o que quero pro meu momento de vida. A meta pessoal é chegar a 100 vídeos no YT e 100 news.
Viver no “off”, compartilhar no “on”
No Instagram, quase não mostro minha rotina pessoal. Embora considere importante manter a proximidade com os seguidores, não vivo na rede compartilhando cada passo.
Prefiro compartilhar insights, reflexões, trechos de estudo e fragmentos do dia a dia.
No LinkedIn, sigo a mesma lógica: produzo conteúdo, interajo, conheço novas pessoas, aprendo... mas não passo horas rolando feed nem me comparo com criadores de outros nichos, que falam para públicos muito maiores e mais amplos que o meu. (confesso que já fiz isso e o sentimento de frustração era grande)
Esse tipo de uso mudou completamente minha relação com as redes. Trouxe leveza, porque eu decido o que compartilhar e não vivo refém da expectativa alheia.
Quando a gente passa a usar a rede como ferramenta e não como “vitrine da vida", tem algo muito forte que acontece junto… recomendo!
Leitura como raiz do conteúdo
O que mais tem me energizado nos últimos meses é algo super simples: reservar tempo para ler, anotar e refletir.
É nesses momentos de estudo profundo que surgem os melhores conteúdos, aqueles que não são apenas “opinião rápida”, mas reflexões com base em repertório que eu to consumindo da fonte.
Essa prática me dá dois ganhos valiosos:
cresço intelectualmente: aprofundo temas, descubro novas perspectivas e alimento minha curiosidade;
inspiro outras pessoas: ao mostrar que é possível, mesmo na correria, mesmo só tendo 10 minutos, a manter um hábito de leitura e estudos.
Num país em que cada vez menos pessoas leem, compartilhar conhecimento é ainda mais valioso.
Talvez a produção de conteúdo esteja ficando “chata” porque muitos só olham para os números finais.. mas se mudarmos o ângulo? Se percebemos que criar é também um ato de prazer e contribuição?
Eu, Fernanda, não tenho pretensão de viver apenas de conteúdo. Faço porque gosto, porque aprendo e porque acredito no valor de compartilhar.
Se um dia isso gerar frutos maiores, ótimo, mas mesmo que não, sei que o longo prazo me recompensa em outras formas: disciplina, repertório, conexões e registro da minha própria jornada.
O longo prazo pode ser cansativo, mas ele sempre recompensa.
E você, por que continua criando ou parou de criar?
Abraço e até a próxima terça!


Uma reflexão bem necessária... A minha relação com o conteúdo é sobre conhecer, aprender e, principalmente, compartilhar. E tem que ser gostoso fazer isso mesmo, senão, não vira.
Tô aqui, refletindo com meus botões: muita gente é obcecada por métricas... São importantes? Claro que são. Mas eu ainda não fui picada pra elas, muito embora acompanhe algo para, justamente, saber se sigo por esse caminho ou se mudo alguma coisa. Mas... ainda tô bem indisciplinada. Quase tendo um FOMO das métricas aqui hahahaha!
No fim do dia eu escrevo para ajudar os meus, minha comunidade, minha aldeia. Ocasionalmente, alguém comenta que leu algo importante em meus textos. Geralmente o comentário vem com "é bem aquilo que tu escreveu" daí fico automaticamente me perguntando, o que será que escrevi kkkkk