Modelagem ou cópia cara de pau?
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Li essa frase por aí e ela não saiu da minha cabeça, talvez porque eu tenho visto cada vez mais um movimento estranho nas redes: muita gente copiando conteúdo, repetindo formatos exatos, ideias e até textos/ideias inteiras… sem realmente saber sobre o que está falando.
Quis trazer essa reflexão pra cá, porque talvez isso passe pela tua cabeça tmb.
Modelar não é copiar
Acredito, de verdade, que toda criação nasce de muitas referências!
É muito difícil criar algo do completo zero.
Tava vendo um vídeo esses dias em que a pessoa tava falando que Picasso estudou profundamente as máscaras e esculturas africanas, e que isso o influenciou demais a “criar o cubismo".. e depois de ver as imagens fica nítida a referência!
Da mesma forma em que Steve Jobs pegou referências na Xerox para criar a interface gráfica e o mouse da Apple. Inspiração e não cópia.
J.K Rowling criou um mundo mágico e único, mas usando a estrutura de narrativa do herói, buscando criaturas na mitologia e lugares por quais ela passou etc
Citei apenas 3 pessoas “famosas", mas com uma rápida busca tu consegues achar ainda mais.
O problema que eu vejo é que muita gente confunde inspiração com reprodução. É natural que nossas criações sejam feitas de pedaços de referências, experiências e aprendizados, como o próprio Roube como um artista explora muito bem. E é bonito reconhecer que somos feitos de tudo o que vimos, lemos e ouvimos…
E modelar é isso: misturar influências com a tua própria forma de pensar e se expressar!
Mas existe uma diferença enorme entre modelar e copiar! E recentemente parece que tenho visto uma enxurrada de cópia nas redes.
E aí voltamos à frase lá do começo: você não aprende sobre um assunto apenas copiando e colando.
No LinkedIn, no Instagram e até no YouTube, não é só o formato que se repete. São títulos iguais, falas iguais, argumentos iguais. A pessoa não só se inspira → ela replica… sem os devidos créditos.
E aí entra o ponto: não dá para aprender sobre um assunto ou ser especialista em algo apenas copiando o que alguém disse. Assim como não dá pra aprender a nadar só lendo sobre a água.
Você sabe de onde vêm as suas ideias?
Eu acredito que a resposta para essa pergunta é uma mistura de repertório com vivências, e relendo Pense de Novo, o Adam Grant traz uma provocação que também ficou na minha cabeça: quando alguém afirma algo, pergunte “Como você sabe disso?”.
E é impressionante como muita gente não sabe responder! Porque não é conhecimento que a pessoa tem, mas opinião herdada/copiada/plagiada!
Na faculdade eu achava um saco ter que referenciar tudo (adorava colocar apud rs).
Hoje entendo o valor disso: é honesto, é responsável, é profissional.
E mais do que isso… é bonito. Gosto quando alguém diz: “Me inspirei no post tal” ou “Essa ideia veio deste livro”.
Eu realmente acho que isso não diminui ninguém.. ao contrário, mostra repertório!
A prova real é a conversa ao vivo
Tem uma coisa que costumo falar com certa frequência:
”se alguém te parar na rua para conversar sobre aquilo que você postou, você consegue sustentar o assunto?”
Se eu falo sobre o Cold Calling Sucks, por exemplo, eu sei conversar sobre o livro porque eu li, eu estudei, eu apliquei. Agora… quem só copia não segura nem 3 minutos falando sobre, e ainda vai se atrapalhar na primeira pergunta mais “profunda".
E é por isso que conteúdos muito parecidos me soam suspeitos. Nem sempre porque alguém copiou, às vezes é pura coincidência, às vezes é referência de outra coisa...
Mas em muitos casos é nítido quando a pessoa nunca falou sobre aquilo antes e “do nada” só fala disso.
E, convenhamos: fica feio demais!
Eu, pessoalmente, perco a admiração e fico com o pé atrás.
Modelar é fazer curadoria, copiar é mascarar
Quando consumimos conteúdo, dá para perceber algumas coisas:
Existem pessoas que tu já sabes que dominam aquele assunto.
Existem outras que simplesmente nunca falaram sobre aquilo… até começarem a publicar posts idênticos aos de alguém de fora.
Existem ideias tão específicas que não têm como ter surgido “do nada”.
E, quando tu começas a filtrar, percebes quem faz curadoria verdadeira, juntando várias referências, quem vive na prática o que compartilha e quem apenas traduz, copia, cola e se declara dono da ideia.
Alguns até lucram com isso, mas isso não os torna criadores.
Torna-os apenas oportunistas!
Criar conteúdo exige curadoria, repertório, tempo de reflexão, energia mental, e até investimento financeiro…
E é totalmente normal que algumas ideias sejam tão amplas que ninguém sabe exatamente de onde tirou, mas existem conceitos, abordagens e estruturas que são muito específicas, e aí não dá para fingir autoria.
Tem gente que traduz conteúdo da gringa, na cara de pau, cola nas redes e vende como se tivesse sido o criador.
Sem fonte, sem referência, sem experiência prática! Um horror!
Isso é mais do que desonesto: é perigoso, porque distorce credibilidade e barateia o trabalho sério de quem cria de verdade.
Por isso, cada vez mais, me pergunto:
O que é modelar? O que é copiar? Até onde vai a inspiração e onde começa a falsidade intelectual?
No fim, acho que a pergunta que todos deveriam se fazer é simples:
Se eu encontrasse essa pessoa na rua, será que ela saberia falar sobre o que posta? Em qual nível de profundidade?
E tu, consegues perceber essa linha entre inspiração e cópia no conteúdo que acompanhas?
Reflexão de um sábado a noite para vocês rs


Voltei agora pro LinkedIn e, sim, vários conteúdos acabam trazendo insights que nos fazem aprofundar temas ou até ir para outra vertente do assunto. Mas o cuidado e a reflexão que acredito que precisamos ter como usuários da rede e profissionais do mercado é: eu preciso sempre usar outro conteúdo já criado para me inspirar? Se as minhas inspirações não vêm de vivências e fontes diversas, quem eu estou sendo nas minhas entregas do dia a dia?
Confesso que quando vejo algo parecido com o que fiz (seja no LinkedIn ou em outra rede) corro olhar a data para me tranquilizar rs. E sei que tem uma ponta de ego nisso. Aqui estou falando de mim mesma.
Esse texto me fez olhar pra dentro (como os textos da Fer sempre fazem). Busco entender o que olhar em mim e como acolher isso para não deixar que me consuma. Afinal, querer que um conhecimento exista somente em nós é ego.
E, apesar de algumas cópias na cara de pau, elas mostram que estamos sendo referência para alguém que talvez, um dia, acorde.
Agora… se essa pessoa que não aprofunda está sendo mais bem-sucedida profissionalmente do que eu, mesmo copiando, talvez o problema esteja também na forma como eu me posiciono e me vendo. Mas, pensando bem, prefiro que o empresário que contrata pela superficialidade nem me encontre.
Eita, Fer… puxou um pelo, saiu um urso aqui.
Eu queria que o mundo lesse esse post. Vejo gente copiando o meu conteúdo na cara de pau.. usando as mesmas frases que eu uso sem nem ter vergonha… seria tão mais bonito a pessoa referenciar.. Eu concordo contigo em genero, numero e grau aqui.