Você pode, mas você deve?
#43
O fim do ano costuma criar um espaço curioso de “pausa forçada”. Chega final de novembro e o “cansaço universal” parece que chega pra (quase) todos.
A gente desacelera um pouco, olha para trás e começa, quase sem perceber, a revisar decisões, excessos e escolhas.. e, claro, a planejar a rota do próximo ano.
Nessa época eu gosto de revisitar algumas leituras e também de escolher outras que eu acredito que possam me ajudar a pensar de forma diferente… não buscando uma virada de chave dramática, mas algo que me faça ter algum insight.
E foi assim que decide ler A Única Coisa (compartilhei diariamente no meu canal “Clube Repertório” no instagram) e me surpreendi com como uma frase pode ser tão impactante.
Considerações sobre o livro
Confesso que foi um livro bom para esse período de “encerramento de ano.”
Não foi daquelas leituras que fazem pensar “meu Deus, preciso reler isso imediatamente ou sair indicando”, até porque eu já tive contato com ideias semelhantes em outros livros (destaque aqui pro Essencialismo, que me marcou muito.. talvez por ter sido um dos primeiros sobre o tema “menos é mais” que eu li).
Em vários momentos, ele justamente me lembrou Essencialismo e outros autores que, de formas diferentes, falam basicamente sobre o mesmo tema: foco, prioridades e escolhas conscientes.
Ainda assim, toda boa leitura traz algo novo. Às vezes é um gráfico simples, uma pergunta bem formulada ou uma forma diferente de organizar um pensamento que a gente já conhece.
E, dessa vez, teve uma ideia específica que ficou comigo.
Sabe daquelas que aparecem do nada, no meio do trânsito ou numa pausa qualquer, e fazem a gente pensar: “isso é realmente importante!”?
Do “eu posso” para o “eu devo”
O livro fala muito sobre encontrar a tua única coisa… aquilo que, quando está claro, facilita todas as outras decisões.
Porque é a partir dali que tu passa a se perguntar se aquilo que tu ta fazendo realmente te leva para esse lugar ou apenas ocupa espaço e tempo.
E foi nesse ponto que eu comecei a revisitar mentalmente vários momentos e frases que repeti ao longo do ano:
Eu posso fazer isso. Eu posso criar mais conteúdo. Eu posso treinar mais. Eu posso assumir mais projetos. Eu posso dormir só 1h a menos.
Mas a leitura trouxe uma pergunta diferente: será que eu deveria?
Existe quem defenda que a vida é sobre fazer o máximo possível.
Existe quem acredite que o caminho é fazer o mínimo, com clareza, por tempo suficiente.
Eu não acredito muito em uma resposta certa para todo mundo. Acho que não existe um “certo” universal.
Existe o teu certo, no momento em que tu ta.
E, para chegar nesse teu certo, muitas vezes é inevitável testar demais, exagerar um pouco e aprender no processo. Faz parte!
Clareza que só vem depois do “excesso”
Depois de um ano fazendo muita coisa, hoje eu consigo ter mais clareza do que eu acho que não devo fazer no próximo…Mas essa clareza não surgiu do nada, vejo que ela veio justamente do “excesso."
Eu testei formatos, projetos, rotinas. Entendi melhor o que eu gosto de fazer, o que não gosto, o tipo de energia mental que cada coisa me exige e o tipo de retorno que ela me traz…
Esse foi um ano intenso:
• Comecei a News aqui e cheguei a 1.540 inscritos
• Canal no YouTube que saiu de 88 pessoas em janeiro para mais de 8 mil agora
• Crescimento forte no Instagram (mesmo sem estratégia de posts no feed)
• Presença constante no LinkedIn (patrocínio de marcas e collabs)
• Eventos, conversas, convites, palestras, viagens…
Quando algumas pessoas me perguntam como eu dei conta de tudo isso, a resposta é simples e honesta: eu dei conta deixando pratos caírem.
Eu cuidei para que os pratos realmente importantes não caíssem: saúde, relações com família e amigos, meu trabalho principal (ABSeed) e momentos de diversão (ahh.. e o cochilo a tarde 😅)
Mas outros caíram sim… e tudo bem!
Talvez eu pudesse ter feito conteúdos melhores, roteiros mais bem pensados, coisas que eu sei que posso - e que eu devo - fazer com mais atenção no próximo ano.
O "NÃO" é uma palavra completa
Olhando para 2026, a pergunta muda de tom. Já não é mais “eu posso fazer isso?”, e sim “eu devo fazer isso agora?”.
Responder essa pergunta vai exigir dizer muitos “nãos”… porque poder eu sei que posso tudo que quiser! (obrigada mãe pela autoconfiança rs)
E eu lembro que, em algum momento, passei a escrever nas minhas metas coladas na parede: o não para uma coisa é um sim para outra.
Está na hora de trazer isso de volta, de forma mais prática.
Afinal, dizer não para um evento, para uma oportunidade ou para algo que parece divertido não significa fechar portas.
Significa escolher, conscientemente, para onde vai o tempo, a energia e o foco.
Significa dizer sim para aquilo que realmente aproxima do que se quer construir.. respeitando valores, princípios e, principalmente, sem colocar a saúde à prova.
Ahhh.. teve outra coisa que li que me marcou bastante: tu ta ocupado ou sendo produtivo? (outro ponto a se pensar)
Talvez o grande exercício não seja descobrir tudo o que somos capazes de fazer, mas aprender a escolher, com mais maturidade, o que realmente vale a pena fazer agora... mesmo sabendo que poderíamos fazer muito mais.
E ps.: não é fácil entender qual que é a coisa que a gente quer alcançar. Eu tenho as minhas metas definidas desde pelo menos uns sete anos atrás. São as mesmas… o que muda são as formas de chegar nela.
E essa é a graça… viver, aprender, colocar em prática e revisar!
E tu: o que hoje podes fazer, mas já começas a perceber que talvez não devas?



Excelente conteúdo Fezita!
Teu substack tá excelente :)
Nesse final de ano e começo de 2026, tive que reavaliar o que eu estava fazendo. Estava cuidando muito dos outros e esquecendo de me priorizar. Seu texto foi muito cirúrgico, para me ajudar a ter mais clareza. Parabéns!